Acidentes com queda causam prejuízos à saúde física e mental de idosos

Um momento de distração, um tropeço numa peça de mobília mal posicionada ou mesmo um simples desequilíbrio podem causar acidentes com quedas, que trazem prejuízos importantes à saúde dos idosos e, nos casos mais graves, podem leva-los até à morte. A ocorrência de uma ou mais quedas por ano chega a 32% entre 65 e 74 anos, a 35% entre 75 e 85 anos e a 51% a partir dos 85 anos. Segundo especialistas, a queda e as complicações dela decorrentes estão entre as principais causas de internação hospitalar e morte na terceira idade.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que a quantidade de pessoas com mais de 60 anos internadas com fraturas causadas por quedas vem crescendo de forma preocupante. Esse aumento se reflete nos gastos do SUS para o tratamento de pacientes da terceira idade. Se consideramos apenas o efeito demográfico causado pelo envelhecimento nos próximos 10 anos, o tratamento da população de idosos implicaria num aumento dos gastos de pelo menos 10 bilhões por ano, o equivalente a um aumento de mais de 40% em relação ao gasto anual médio da última década. Esses dados, comparados com projeções do aumento do PIB levantam dúvidas sobre a capacidade do país financiar a saúde.

Figura 1 – Pirâmide etária comparativa (2010/2030) e Projeção de aumento no gasto médico assistencial. Com o envelhecimento da população os gastos com a saúde pública podem aumentar em até 149%. Fonte IBGE (2019).

Essa grande incidência de quedas entre idosos está associada, principalmente, a alterações físicas e fisiológicas, que acontecem naturalmente com o processo de envelhecimento, como problemas de visão, redução das massas muscular e óssea, deficiência auditiva, dificuldade de equilíbrio, perda progressiva da força nos membros inferiores e uso inadequado de medicamentos. O decréscimo do sistema neuromuscular, além da limitação da capacidade de coordenação e do controle do equilíbrio corporal, também ocorrem com o envelhecimento e influenciam diretamente na incidência de quedas. Algumas doenças como infarto, a labirintite, a insuficiência cardíaca, doenças neurológicas, hipotensão postural (incapacidade de manter a pressão arterial ao levantar), AVCs e diabetes também potencializam as chances de acidentes e são causas recorrentes de quedas.

Uma das consequências mais temidas das quedas são as fraturas – principalmente a do colo do fêmur – pois normalmente exigem tratamento cirúrgico e longos períodos imobilização e repouso. Quando combinadas com o efeitos de outras doenças degenerativas comuns na velhice, as consequências das quedas são agravadas pela diminuição das atividades físicas e pela redução da capacidade de manter o equilíbrio corporal.

Esses fatores, combinados com o medo de cair novamente, dificultam a adoção ou continuidade de um estilo de vida ativo e independente. Muitas vezes o indivíduo passa a precisar de ajuda até para tarefas corriqueiras, tais como tomar banho, pegar algo no chão, entrar no carro e subir escadas. Até o deslocamento dentro de casa fica comprometido.

Figura 2 – Fraturas e medo de cair entre as principais consequências para os idosos que sofrem quedas. Fonte: Coelho et. al, 2003.

Esse aumento do medo de cair e a perda de independência levam os idosos a ter menos interações sociais, comprometem sua autoestima, sua autoconfiança e sua autoeficácia, causando também prejuízos à saúde mental, aumentando as chances da  ocorrência de doenças como ansiedade e depressão, comprometendo ainda mais o seu quadro geral de saúde.

Figura 3 – Consequências da queda em idosos de uma comunidade do Rio de Janeiro. Fonte: Ribeiro et al. (2008).

Independentemente da causa, as chances de quedas podem ser minimizadas com o aumento do equilíbrio, o fortalecimento da musculatura e a recuperação da mobilidade através da prática regular de exercícios físicos. A atividade física combinada com uma boa alimentação é, sem dúvida, a melhor intervenção, pois faz desacelerar a perda de massa muscular, podendo promover um ganho de massa magra, reduz o sobrepeso, que pode ser considerado outra causa de quedas, previne o desequilíbrio e promove o ganho de massa óssea, fortalecendo os ossos e reduzindo o risco de fraturas.

Diminuir o medo de cair também parece ser muito importante para a recuperação da saúde mental e da independência dos idosos. Estratégias de treinamento com programas de exercício que buscam potencializar a funcionalidade, a agilidade, o tempo de reação, o equilíbrio e o padrão de movimento dos participantes reduzem a incidência de quedas e, segundo alguns estudos, se mostraram eficientes na diminuição do medo de cair. A valorização do aspecto lúdico nessas estratégias parece favorecer a adesão dos idosos aos programas de exercício.

No futuro, o uso de equipamentos com tecnologias que permitam a identificação de um acidente com queda e facilite a comunicação com familiares no caso de uma emergência ou para o pedido de socorro também podem ser alternativas interessantes para melhoria do quadro de saúde mental dos idosos, pois ao facilitar esse contato, podem aumentar a segurança e a confiança dos idosos para a execução de tarefas e atividades que poderiam contribuir para as interações sociais, melhorando sua autoestima, sua autoconfiança e seu sentimento de autoeficácia. Desta forma, Levantar da cama, se vestir, tomar banho e abaixar passam a ser tarefas fáceis outra vez.

Artigo escrito por Henrique Dantas

Trukah

Referências

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Coelho, S. C. et al. Causas e consequências de quedas de idosos atendidos em hospital público. Rev. Saúde Pública, 38 (1). Fev, 2004. https://doi.org/10.1590/S0034-89102004000100013

Maciel, S. S. S. V. et al. Perfil epidemiológico das quedas em idosos residentes em capitais brasileiras utilizando o Sistema de Informações sobre Mortalidade. Rev. AMRIGS ; 54(1): 25-31, jan.-mar. 2010. LILACS | ID: lil-685592.

Maia, B. C. et  al. Consequências das Quedas em Idosos Vivendo na Comunidade. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 14(2):381-393. Rio de Janeiro, 2011.

Ribeiro, A. P. et al. A influência das quedas na qualidade de vida de idosos. Ciência & Saúde Coletiva, 13(4):1265-1273, 2008.

Wingerter, D. G. et al.Mortalidade por Queda em Idosos: Uma Revisão Integrativa. V. 6 Revista Ciência Pluraln.1, 2020. DOI: https://doi.org/10.21680/2446-7286.2020v6n1ID18366.

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